Clarice estava rasbiscando em seu caderno, ela precisava fazer isso, precisava entregar 30 desenhos na quinta-feira para seu professor e não tinha nada pronto. Ela gostava de desenhar, por isso escolheu design, na verdade não escolheu design, foi o único curso que ela achou que poderia ficar desenhando o dia todo sem seus pais reclamarem que ela não fazia nada além de desenhar o dia todo. Mas ela odiava design, odiava as pessoas que faziam design, ela só queria desenhar. Estava na aula de técnicas discursivas aproveitando para desenhar. O rapaz da cadeira da frente se mexeu, o que fez ela errar o traço do desenho, olhou com cara amarrada pra ele, ele se virou e com um belo sorisso falou “pô foi mal, nossa desenho legal, parabéns” e logo depois voltou a olhar para a frente. Ela ficou encarando as costas dele. E aconteceu, Clarice se imaginou namorando ele, imaginou os dois de mãos dadas indo ao cinema, os dois comendo uma pizza e rindo de qualquer coisa, imaginou beijando ele, imaginou toda uma vida com ele. Clarice sempre fazia isso. Ela que tinha estudado Marx e Foucalt, ela que lia Charlie Bukowski e Virgia Woolf, ela que se inspirava em Satre, ela, Clarice, criava histórias românticas com todos os meninos que lhe dessem um pouco de atenção, feito uma menina adolescente boba vendo uma comédia romântica. Ela odiava isso, se sentia uma completa idiota. Olhou irritada para o caderno e voltou a desenhar. A aula acabou. Ela se levantou e foi caminhando para a porta. O menino que estava sentado a sua frente chegou perto dela e disse:
- Gostei mesmo dos seus desenhos, podemos tomar um café pra você me mostrar mais do que você desenha?
Clarice o encarou e com um leve sorriso disse:
- Não obrigada, tô atrasada.
E saiu.
Foi para casa, tentando imaginar uma vida com o rapaz que estava no ônibus e depois desenhar.
2+2=5
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Receita de como azedar um relacionamento.
1 xícara de ressentimento
2 copos de raiva
1 pitada de ironia
1 colher de egoísmo
½ colher de ego
Colocar os ingredientes em uma discussão fervendo, mexer tudo até que cresça e vire uma massa de rancor.
Depois é só servir.
2 copos de raiva
1 pitada de ironia
1 colher de egoísmo
½ colher de ego
Colocar os ingredientes em uma discussão fervendo, mexer tudo até que cresça e vire uma massa de rancor.
Depois é só servir.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Carta para o meu amor:
Resolvi escrever essa carta. Poderia dar inúmeros motivos, mas nenhum justificaria. Hoje é sexta-feira, você está por aí, na “night”, conhecendo gente, divertindo-se. O que me incomoda? É que entre essa “gente” é claro que apareceram garotos. Rapazes interessantes, descolados, bonitos, cheios de assuntos, conversas fúteis, tudo o que a noite tem para oferecer. Eu não quero te prender, saía mesmo, divirta-se, só cuidado! Não digo cuidados como não dirigir bêbada, entre os outros perigos da noite, digo para ter cuidado com esses meninos, esses que você pode conhecer, eles podem se iludir. Não deixa eles caírem nesse seu sorriso fácil, nessa sua presença carismática, seu olhar malicioso, por que certamente meu amor, você os fará sofrer. Pois sabemos que você não pode amar. Seu coração azedou. Divirta-se meu amor. Depois chegue em casa e sinta em sua volta, o vazio. Por que apesar de ter tantas pessoas em sua volta, você está sozinha. Mas quem sabe, numa dessas noites você encontre alguém especial, que te faça te sentir menos solitária. Eu torço por você, meu amor. Agora eu vou, pois você sabe, eu preciso. Se eu queria estar agora com você? Não. Divirta-se meu amor. Controle na bebida e no cigarro.
De quem te ama:
XO
De quem te ama:
XO
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Porque era ela...
Estava sentada olhando para a janela. Estava nervosa, muito nervosa. Como não estar? Ele estava atrasado. Ainda bem, pensava ela, assim poderia ter mais tempo para organizar as palavras na cabeça, o que iria falar? Estava sentada em um banco de uma lanchonete, no centro da cidade, tomando uma coca-cola, afinal, porque estava tomando uma coca-cola? Por que não pediu uma cerveja? Ela não sabia, pediu automaticamente, droga, deveria ter pedido cerveja, quem sabe o álcool a fizesse relaxar.
Olhou para a janela, ele vinha atravessando a rua. Mexeu as mãos, não podia tirar os olhos dele, Jesus, como ele era bonito, ela sempre o achou bonito, mesmo quando algumas amigas falava que ele nem era tão bonito assim, não concordava, ele sempre foi o cara perfeito pra ela. Ele entrou na lanchonete, vasculhou o lugar com os olhos e a encontrou, veio na direção dela, deu um beijo no rosto e um abraço acompanhado de “e aí? Como você está?” Ela sentiu todo o sangue do corpo dela indo para a cabeça, idiota! Por que ela tinha que ficar vermelha? Ele fingiu que não reparou, na verdade ele reparou no corpo dela, ele sempre parava o olhar no corpo dela. O que ela conseguia reparar é que ele usava a camiseta da banda preferida dela, cretino, deve ter feito de propósito.
- Fiquei surpreso quando você me ligou – falou ele de um jeito casual.
Ela riu nervosa, mal sabia ele que aquele telefonema foi à coisa mais difícil que ela já fez na vida.
A garçonete emburrada veio até a mesa perguntar se ele queria alguma coisa, ele pediu uma cerveja! Merda, ela devia ter pedido cerveja antes...
- Me ajuda a tomar? – perguntou ele.
- Aham.. – respondeu ela.
Ele a olhou nos olhos esperando que ela dissesse alguma coisa, afinal foi ela que ligou marcando o encontro.
É isso, ela vai ter que falar.
- Então... – começou ela sem jeito – Liguei porque vou viajar, por um tempo, queria me despedir, conversar sabe...
- Ah sim, fiquei sabendo da sua viagem, que bacana hein? Tenho certeza que vai ser demais...
- É... – ela sabia que ia ser demais, não era isso que ela queria falar...
- Então é que...
- Nossa deixa eu te contar....
E ele fez de novo, ele sempre cortava quando ela ia falar, sempre contando coisas super descoladas que acontecia com ele, sempre contando vantagem, sempre “sendo ele”. Ela o ouvia falar, falar, falar, e começava a pensar por que afinal de contas ela tinha o chamado ali? O que ela queria falar? Tudo, ela queria falar tudo...
- Nossa que legal ... – disse ela rindo sem prestar muita atenção no que ele falava.
- Aham, um tesão, e aí? Quando volta?
Ela ia responder, mais a garçonete trouxe a cerveja.
- Ainda não sei, vou ficar pelo menos um ano...
- Uau, que sensacional... Vou sentir saudades sua.
Ela teve vontade de jogar a cerveja na cara dele, quem era ele pra sentir saudades dela?
- Vamos fazer um brinde – ele levantou o copo – Ah sua viagem...
Os dois bateram o copo rindo.
- Sabe, eu sempre gostei da nossa amizade, mesmo a gente ter se envolvido no passado, a gente nunca deixou isso nos afastar – disse ele tomando um gole.
Ela ficou muda. Ah qual é? Ela que tinha chamado ele ali, ela tinha que falar...
- É então o curso que eu vou fazer lá é.... – desconversou ela.
Continuaram a conversar, sobre tudo, sem realmente falar nada. Foi se passando o tempo, ela sentia passar o tempo, o tempo que tinha com ele, e o que mais ela temia aconteceu, ele olhou as horas no celular e disse:
- Cara, vou ter que ir, tenho que ir...
- Ah tudo bem... – respondeu ela automaticamente.
- Muito bom te encontrar, que bom que você me ligou.
- É foi bom mesmo.
Ela mentiu.
- Quando você voltar vamos nos ver mais? Nos vimos tão pouco esses últimos meses...
- É verdade, vamos nos ver mais sim...
Ela mentiu novamente.
- Me dá um abraço aqui... – ele se levantou, foi até ela e a abraçou.
Ela não se permitiu sentir nada.
- Tudo de bom pra você... – falou ele.
- Pra você também...
Ele se virou. Estava indo em direção ao balcão para pagar. Ela se sentou, olhou ele, ele sempre ia embora, sempre.
- Me responde uma coisa? – disse ela um pouco alto para ele conseguir escutar.
Ele parou, se virou e deu alguns passos na direção dela.
- Fala...
- Por que você veio aqui hoje? – ela mal acreditava que estava falando aquilo.
Ele parou, olhou pra ela e disse:
- Por que você vai embora.
Foi quando finalmente ela entendeu, ela ia mesmo, ela finalmente ia embora.
Olhou para a janela, ele vinha atravessando a rua. Mexeu as mãos, não podia tirar os olhos dele, Jesus, como ele era bonito, ela sempre o achou bonito, mesmo quando algumas amigas falava que ele nem era tão bonito assim, não concordava, ele sempre foi o cara perfeito pra ela. Ele entrou na lanchonete, vasculhou o lugar com os olhos e a encontrou, veio na direção dela, deu um beijo no rosto e um abraço acompanhado de “e aí? Como você está?” Ela sentiu todo o sangue do corpo dela indo para a cabeça, idiota! Por que ela tinha que ficar vermelha? Ele fingiu que não reparou, na verdade ele reparou no corpo dela, ele sempre parava o olhar no corpo dela. O que ela conseguia reparar é que ele usava a camiseta da banda preferida dela, cretino, deve ter feito de propósito.
- Fiquei surpreso quando você me ligou – falou ele de um jeito casual.
Ela riu nervosa, mal sabia ele que aquele telefonema foi à coisa mais difícil que ela já fez na vida.
A garçonete emburrada veio até a mesa perguntar se ele queria alguma coisa, ele pediu uma cerveja! Merda, ela devia ter pedido cerveja antes...
- Me ajuda a tomar? – perguntou ele.
- Aham.. – respondeu ela.
Ele a olhou nos olhos esperando que ela dissesse alguma coisa, afinal foi ela que ligou marcando o encontro.
É isso, ela vai ter que falar.
- Então... – começou ela sem jeito – Liguei porque vou viajar, por um tempo, queria me despedir, conversar sabe...
- Ah sim, fiquei sabendo da sua viagem, que bacana hein? Tenho certeza que vai ser demais...
- É... – ela sabia que ia ser demais, não era isso que ela queria falar...
- Então é que...
- Nossa deixa eu te contar....
E ele fez de novo, ele sempre cortava quando ela ia falar, sempre contando coisas super descoladas que acontecia com ele, sempre contando vantagem, sempre “sendo ele”. Ela o ouvia falar, falar, falar, e começava a pensar por que afinal de contas ela tinha o chamado ali? O que ela queria falar? Tudo, ela queria falar tudo...
- Nossa que legal ... – disse ela rindo sem prestar muita atenção no que ele falava.
- Aham, um tesão, e aí? Quando volta?
Ela ia responder, mais a garçonete trouxe a cerveja.
- Ainda não sei, vou ficar pelo menos um ano...
- Uau, que sensacional... Vou sentir saudades sua.
Ela teve vontade de jogar a cerveja na cara dele, quem era ele pra sentir saudades dela?
- Vamos fazer um brinde – ele levantou o copo – Ah sua viagem...
Os dois bateram o copo rindo.
- Sabe, eu sempre gostei da nossa amizade, mesmo a gente ter se envolvido no passado, a gente nunca deixou isso nos afastar – disse ele tomando um gole.
Ela ficou muda. Ah qual é? Ela que tinha chamado ele ali, ela tinha que falar...
- É então o curso que eu vou fazer lá é.... – desconversou ela.
Continuaram a conversar, sobre tudo, sem realmente falar nada. Foi se passando o tempo, ela sentia passar o tempo, o tempo que tinha com ele, e o que mais ela temia aconteceu, ele olhou as horas no celular e disse:
- Cara, vou ter que ir, tenho que ir...
- Ah tudo bem... – respondeu ela automaticamente.
- Muito bom te encontrar, que bom que você me ligou.
- É foi bom mesmo.
Ela mentiu.
- Quando você voltar vamos nos ver mais? Nos vimos tão pouco esses últimos meses...
- É verdade, vamos nos ver mais sim...
Ela mentiu novamente.
- Me dá um abraço aqui... – ele se levantou, foi até ela e a abraçou.
Ela não se permitiu sentir nada.
- Tudo de bom pra você... – falou ele.
- Pra você também...
Ele se virou. Estava indo em direção ao balcão para pagar. Ela se sentou, olhou ele, ele sempre ia embora, sempre.
- Me responde uma coisa? – disse ela um pouco alto para ele conseguir escutar.
Ele parou, se virou e deu alguns passos na direção dela.
- Fala...
- Por que você veio aqui hoje? – ela mal acreditava que estava falando aquilo.
Ele parou, olhou pra ela e disse:
- Por que você vai embora.
Foi quando finalmente ela entendeu, ela ia mesmo, ela finalmente ia embora.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Ei João!
João com a enxada na mão.
João sem terra nem chão.
João encontra a bandeira, filosofia, união.
Vestiu o vermelho, segue o movimento, repete o discurso.
Encontra apoio, um consolo.
Descobre nos outros a antiga desigualdade
Que vem da cidade e cresce no campo
Se espalha em latifúndios
No mundo.
Se João não nem terra nem chão...
E agora João?
Vá pra cidade, ocupe seu espaço.
Porque no campo isso é invasão.
Vá pra cidade construa seu barraco, sem telhado, sem proteção
Porque no campo isso é destruição
Vá pra cidade, assalte, cate, morra
Porque no campo você não é mais o seu lugar.
João, do seu trabalho você não vive mais.
Segue em frente
Segue a música.
Não é mais seu.
É o que resta.
Pega a enxada, invade, ocupa
É a parte que te cabe.
É a parte que lhe couberam.
João sem terra nem chão.
João encontra a bandeira, filosofia, união.
Vestiu o vermelho, segue o movimento, repete o discurso.
Encontra apoio, um consolo.
Descobre nos outros a antiga desigualdade
Que vem da cidade e cresce no campo
Se espalha em latifúndios
No mundo.
Se João não nem terra nem chão...
E agora João?
Vá pra cidade, ocupe seu espaço.
Porque no campo isso é invasão.
Vá pra cidade construa seu barraco, sem telhado, sem proteção
Porque no campo isso é destruição
Vá pra cidade, assalte, cate, morra
Porque no campo você não é mais o seu lugar.
João, do seu trabalho você não vive mais.
Segue em frente
Segue a música.
Não é mais seu.
É o que resta.
Pega a enxada, invade, ocupa
É a parte que te cabe.
É a parte que lhe couberam.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O julgamento feminino.
Não tenho medo das mulheres que atacam, mostrando suas garras e se preparam para a guerra.
Tenho medo das mulheres que defendem a paz, com olhares puros e rostos angelicais.
Não tenho medo das mulheres atiradas, que exibem o poder do seu sexo, delas conheço os truques e feitiços.
Tenho medo das recatadas, puritanas e religiosas, que se escondem com o véu, mais que atrás da cortina escondem mais pecados que duvidam os Céus.
Não tenho medo das mulheres que são faladas, levam sua reputação no chão, com desgraça e orgulho.
Tenho medo das que defendem a moral, o bom costume, que falam mal da outra e que na verdade tem medo, pois se descobrirem seus erros, nem Virgem Maria pode por eles intercede-los.
Não tenho medo das mulheres taciturnas, grosseiras ou negligentes.
Tenho medo das “sorrisos doces”, olhares puros, pra essas não viro as costas, pois se o rosto é frágil o punho não, o punhal que não é visto, é o que mais dói e é sentido.
Tenho medo daquilo o que é de mim, diferente.
Mas se sorrisos, bom modos, efusividade e delicadeza definisse moral, eis que tenho que falar, nenhuma mulher escaparia do julgamento final.
Tenho medo das mulheres que defendem a paz, com olhares puros e rostos angelicais.
Não tenho medo das mulheres atiradas, que exibem o poder do seu sexo, delas conheço os truques e feitiços.
Tenho medo das recatadas, puritanas e religiosas, que se escondem com o véu, mais que atrás da cortina escondem mais pecados que duvidam os Céus.
Não tenho medo das mulheres que são faladas, levam sua reputação no chão, com desgraça e orgulho.
Tenho medo das que defendem a moral, o bom costume, que falam mal da outra e que na verdade tem medo, pois se descobrirem seus erros, nem Virgem Maria pode por eles intercede-los.
Não tenho medo das mulheres taciturnas, grosseiras ou negligentes.
Tenho medo das “sorrisos doces”, olhares puros, pra essas não viro as costas, pois se o rosto é frágil o punho não, o punhal que não é visto, é o que mais dói e é sentido.
Tenho medo daquilo o que é de mim, diferente.
Mas se sorrisos, bom modos, efusividade e delicadeza definisse moral, eis que tenho que falar, nenhuma mulher escaparia do julgamento final.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Medicina.
- Então Doutor, o que eu tenho?
- Pelos seus exames, vejo que te falta uma coisa...
- O que é? Vitaminas? Hormônios? Essa história de menopausa precoce...
- Não, não é nada disso.
- Não? Aí é grave? Vou morrer não é? Sei que vou... Aí meu Deus!
- Calma...
- Fala Doutor!
- O que te falta é Amor.
- Amor? Com assim?
- Isso mesmo, Amor. Por isso você apresentava aqueles sintomas.
- Mas Doutor aonde arrumo Amor? Na farmácia?
- Olha minha querida, sou médico não curandeiro. PRÓXIMO!
- Pelos seus exames, vejo que te falta uma coisa...
- O que é? Vitaminas? Hormônios? Essa história de menopausa precoce...
- Não, não é nada disso.
- Não? Aí é grave? Vou morrer não é? Sei que vou... Aí meu Deus!
- Calma...
- Fala Doutor!
- O que te falta é Amor.
- Amor? Com assim?
- Isso mesmo, Amor. Por isso você apresentava aqueles sintomas.
- Mas Doutor aonde arrumo Amor? Na farmácia?
- Olha minha querida, sou médico não curandeiro. PRÓXIMO!
domingo, 3 de outubro de 2010
Sinceridade X Ironia
Às vezes fico pensando que as pessoas deveriam ser mais sinceras. Acabar com joguinhos, ou o que homens falam que a mulher faz, “cu doce”. Só que pensando bem, não podemos dizer realmente o que queremos dizer, não é apropriado. Por exemplo, você quer dizer para “aquele cara” que gosta dele, gosta de conversar com ele, gosta de às vezes ficar com ele, mais é só isso, não quer sair com ele, pelo menos não em encontros só vocês dois, que é melhor deixar rolar, que os dois se encontrem casualmente e quando você tiver vontade você diz e fica, ponto. Mais é óbvio, se você falar isso para ele, ele vai te odiar, te xingar e nunca mais olhar na sua cara. Então, para manter essa amizade, quando ele te convida pra sair você inventa qualquer desculpa, desde de tem que pintar a unha a “minha vó está no hospital” e não saí, afinal, você não tá afim, e ele chama você de cu doce, enroladora, mais mantém o contato e o convite pra sair.
Mais se queremos o direito de falar o que quisermos, temos que aprender também a ouvir o que não queremos. Afinal se você quer dizer para o cara que não está tão afim dele ao ponto de sair, ele pode muito bem responder um “tudo bem, eu queria mesmo a sua amiga, mais como ela tá namorando, o que me restou é você”. É, definitivamente sinceridade não é apropriada, não se você quer viver em sociedade. Por isso é que existe a ironia e o sarcasmo, é um ótimo cano de escape para verdade. Na realidade uma verdade dita com ironia é melhor que a verdade dita “sinceramente”. Não existe nada que com ironia não fique melhor, mesmo quando você é alvo dessa ironia, afinal você pode sorrir, xingar a pessoa de filha da puta mentalmente, disfarçar que não entendeu e ficar a posto só esperando para retribuir. Se existe a verdade nua e crua, a ironia é vestida e temperada e quanto mais apimentada for, melhor.
Mais se queremos o direito de falar o que quisermos, temos que aprender também a ouvir o que não queremos. Afinal se você quer dizer para o cara que não está tão afim dele ao ponto de sair, ele pode muito bem responder um “tudo bem, eu queria mesmo a sua amiga, mais como ela tá namorando, o que me restou é você”. É, definitivamente sinceridade não é apropriada, não se você quer viver em sociedade. Por isso é que existe a ironia e o sarcasmo, é um ótimo cano de escape para verdade. Na realidade uma verdade dita com ironia é melhor que a verdade dita “sinceramente”. Não existe nada que com ironia não fique melhor, mesmo quando você é alvo dessa ironia, afinal você pode sorrir, xingar a pessoa de filha da puta mentalmente, disfarçar que não entendeu e ficar a posto só esperando para retribuir. Se existe a verdade nua e crua, a ironia é vestida e temperada e quanto mais apimentada for, melhor.
domingo, 8 de agosto de 2010
Adeus.
Ele estava arrumando as malas no quarto.
Ela estava na sala, olhando fixamente para o porta-retrato que estava em cima da mesa.
Como tudo pode ter terminado desse jeito?
-Terminei. As outras coisas venho buscar depois.
Ele deixou as duas malas no chão, não sabia o que dizer.
- Se lembra dessa foto que tiramos? Essa que está em cima da mesa...
Ela precisava falar.
- Lembro... Férias na Argentina.
Ela riu.
- Seu espanhol sempre foi horrível.
- Pelo menos eu tentava falar outra língua.
Ela estremeceu.
- Não quero brigar.
- É melhor, se não vamos acabar dizendo coisas que não queremos dizer.
Ele pareceu sensato. Isso a irritou, na verdade sempre odiou a pose de dono da verdade que ele bancava, sempre a deixava como a idiota da história.
- O.k Pode ir embora.
Ela sentia que o ódio estava vindo.
- Vai ficar bem sozinha?
- Não preciso de você pra me proteger, Marcelo.
- Não quis ofender.
Mentira, ele queria ofender.
- Fica com o carro, vou de táxi.
- Não precisa.
- Para de ser orgulhosa Regina...
- Orgulhosa é o caramba, sei me virar sem você.
- Sabe mesmo é?
- Sei, seu babaca.
- Vai começar a fazer ceninha?
Pronto, ele conseguiu, conseguiu irritá-la de vez.
- Desculpa senhor “tenho autocontrole”, talvez eu não tenha essa inteligência emocional que você tenha, deve ter aprendido na faculdade de engenharia, mas a culpa é minha, afinal de contas existe coisa mais idiota que namorar um engenheiro?
- Você não vai querer entrar nesse papo de profissão Regina...
- Por quê?
- Deixa pra lá...
- Fale Marcelo, ou não tem coragem?
Pronto, ela conseguiu irritá-lo de vez.
- Porque você é um fracasso, uma atriz fracassada!
Ele a tinha magoado, ele sabia disso, se arrependeu.
- Olha desculpe, melhor ir embora.
Ela queria chorar, mas não na frente dele.
- Adeus.
Ele queria abraçá-la dizer que ela foi à melhor coisa na vida dele.
- Adeus.
Ele pegou as malas e foi embora.
Ela demorou algum tempo até conseguir se mexer. Andou alguns passos pegou o porta-retrato, deitou no sofá e o abraçou, dormiu lembrando um velho tango argentino, que ficava cada vez mais baixo.
Ela estava na sala, olhando fixamente para o porta-retrato que estava em cima da mesa.
Como tudo pode ter terminado desse jeito?
-Terminei. As outras coisas venho buscar depois.
Ele deixou as duas malas no chão, não sabia o que dizer.
- Se lembra dessa foto que tiramos? Essa que está em cima da mesa...
Ela precisava falar.
- Lembro... Férias na Argentina.
Ela riu.
- Seu espanhol sempre foi horrível.
- Pelo menos eu tentava falar outra língua.
Ela estremeceu.
- Não quero brigar.
- É melhor, se não vamos acabar dizendo coisas que não queremos dizer.
Ele pareceu sensato. Isso a irritou, na verdade sempre odiou a pose de dono da verdade que ele bancava, sempre a deixava como a idiota da história.
- O.k Pode ir embora.
Ela sentia que o ódio estava vindo.
- Vai ficar bem sozinha?
- Não preciso de você pra me proteger, Marcelo.
- Não quis ofender.
Mentira, ele queria ofender.
- Fica com o carro, vou de táxi.
- Não precisa.
- Para de ser orgulhosa Regina...
- Orgulhosa é o caramba, sei me virar sem você.
- Sabe mesmo é?
- Sei, seu babaca.
- Vai começar a fazer ceninha?
Pronto, ele conseguiu, conseguiu irritá-la de vez.
- Desculpa senhor “tenho autocontrole”, talvez eu não tenha essa inteligência emocional que você tenha, deve ter aprendido na faculdade de engenharia, mas a culpa é minha, afinal de contas existe coisa mais idiota que namorar um engenheiro?
- Você não vai querer entrar nesse papo de profissão Regina...
- Por quê?
- Deixa pra lá...
- Fale Marcelo, ou não tem coragem?
Pronto, ela conseguiu irritá-lo de vez.
- Porque você é um fracasso, uma atriz fracassada!
Ele a tinha magoado, ele sabia disso, se arrependeu.
- Olha desculpe, melhor ir embora.
Ela queria chorar, mas não na frente dele.
- Adeus.
Ele queria abraçá-la dizer que ela foi à melhor coisa na vida dele.
- Adeus.
Ele pegou as malas e foi embora.
Ela demorou algum tempo até conseguir se mexer. Andou alguns passos pegou o porta-retrato, deitou no sofá e o abraçou, dormiu lembrando um velho tango argentino, que ficava cada vez mais baixo.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
“Como vai?”
Via ele de longe, sabia que iria se aproximar...
Pensei rapidamente...
O que iria responder?
Ele ia perguntar, tinha certeza...
Sempre me perguntava
“Como vai?”
Queria dizer que me sentia vazia, cansada
Sem sentimentos, sentido ou razão.
Dizer que queria gritar, ficar muda.
Dizer que ele parasse de me perguntar isso.
Dizer...
Ele perguntou: “Como vai?”
Tudo bem.
Respondi.
Pensei rapidamente...
O que iria responder?
Ele ia perguntar, tinha certeza...
Sempre me perguntava
“Como vai?”
Queria dizer que me sentia vazia, cansada
Sem sentimentos, sentido ou razão.
Dizer que queria gritar, ficar muda.
Dizer que ele parasse de me perguntar isso.
Dizer...
Ele perguntou: “Como vai?”
Tudo bem.
Respondi.
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