Suzane 40 anos sozinha em casa num sábado à noite. Estava acostumada com a solidão do lar, depois do divórcio, seus filhos adolescentes nunca paravam em casa. Deitada no sofá liga a televisão à procura de algum programa interessante. Desce a mão, fica contente ao perceber que apesar dos anos, seu corpo ainda reconhecia uma carícia, um carinho. Ajeita-se melhor no sofá, pensa em seus antigos amantes, não foram muitos, poucos conseguiram satisfaze-la, mais todos a desejaram ardentemente, e isso bastava. Nunca teve uma relação homossexual, mais demorava o olhar nas mulheres do clube, como teria o gosto de uma mulher? O movimento aumenta, ela já sentia o próprio gosto, e isso bastava. Adorava quando os homens a encaravam na rua, como se fossem possuí-la ali no asfalto, selvagem, casual, seguindo seu instinto, seu cheiro de fêmea, o movimento fica mais intenso, horizontal, rápido, frenético, sente vontade de gritar, gemer, chorar...
Acontece à explosão, fica surda e cega, sem pensar em nada, apenas sentindo o formigamento, o contentamento, a satisfação do próprio corpo. Ofegante, sorri.
Ela era.
Ela tinha alma, e isso bastava.